Faltam 10 dias. Até onde a memória dela alcança, era exatamente há 10 dias do aniversário, que a mãe, carinhosa e saudosista começava a recontar a história do dia de seu nascimento. Ela fazia assim com seus irmãos e claro, com ela também.Hoje não escuta mais a história, mas durante os anos em que ouviu ela gravou aquelas palavras e hoja as recorda emotivamente. Hoje não escuta mais a história porque a mãe está em outra cidade, e é ela que já começa a recontar a história para o filho, com quase 9 anos, repetindo o que em algumas épocas odiava (porque ela tinha que ficar recontando sempre aquilo? Que graça tinha?) e em outras épocas (como no ano em que completou 16 anos grávida de 8 meses) a história ganhou mais detalhes devido a muitas perguntas curiosas.
Sentada na cadeira do escritório em casa ela reviu todas as fotos, com a desculpa de selecionar algumas para os novos porta-retratos da parede do corredor, ela reviu seus quase 25 anos de vida. Sorriu.
Até os cinco anos ela chegava por último nas brincadeiras mas não ficava triste porque era café com leite, caçula. Dos cinco os dez se mudou, se readaptou várias vezes, a separação, a novas cidades, a saudades. Dos dez aos quinze ela aprontou, curtiu e engravidou, ops. Dos quinze aos vinte se dividiu, entre fraldas, família, estudos e sonhos que se tornaram distântes devido a realidade. Dos vinte aos vinte e cinco ela se doou a tentar não abandonar todos os sonhos, e na busca deles, buscou antes a ela mesma, buscou armas que tinha para lutar por eles, e chegou ao limite, e surtou.
E agora? O que serão dos próximos 5?
Enquanto ela confessa na cadeira, durante a análise, todos os sonhos que viraram frustrações, tudo o que não era pra ser e viraram grandes realizações, ela tenta achar, intensamente, o que é nela hoje essa mistura desses 25 anos, o que ela carrega e o que ela repudia, e feliz pelo que pode vir, aceita que o que já foi não tem solução, que o que já vir, ainda terá que esperar um pouco, porque o que ela mais quer é o hoje, pleno e com suas 24 horas para viver.
Acho insano como não gostamos de algumas coisas nas nossas mães, mesmo sabendo que faremos EXATAMENTE igual quando tivermos/temos nossos filhos.
ResponderExcluirOntem, zapeando os canais, ouvi o Samuel (skank) dizendo uma frase que ficou na minha cabeça... era sobre trabalhar muito, mas dar um jeito de aproveitar a vida agora. Deixar de acreditar que vai aproveitar só depois, pois quando o depois chegar as coisas não terão a mesma graça e sentido que hoje... um dia publicarei um post sobre.
Aproveite todas as 24 horas de todos os dias!!
Daqui 5? terá 30.
beijo.
Acho que agora eu vou comecar na contagem regressiva...mas de idade... Declarado que esse ano vou fazer 26 anos...rs...
ResponderExcluirAi...daqui a 20 anos, com 6, eu posso sonhar de novo em ser bailarina.
Que tal?
Ai ai...
Dizem que dos 15 pros 40 é um pulo neh?
Antes de mais nada:
ResponderExcluiracho que não somos como nossos pais, e sim tentamos sermos melhores que eles, formando uma evolução do ser humano. Afinal, é por isso que estamos aqui, não?
(Não?)
E sobre idade...
Eu nunca estive melhor do que em meus 28 anos.
Libby, podemos sim fazer ballet! Vc então, que é toda mignon, já tá em vantagem!
Respondendo a Clau, acho que somos sim tentativa de sermos melhores do que eles, e se tentamos isso é pq sabemos, que no princípio, somos a mistura do que recebemos deles na fase de criação. Vejo isso com o Nicholas, ele é, mesmo que ainda não tenha consciência disso, muito parecido comigo, e ainda vai lutar contra isso, evolução. E nào acho que isso seja só nosso, não somos nós tentando melhorar e sim eles nos educando para sermos melhores do que eles, fazer o que não fizeram, realizar o que não realizaram. E nós somos o que não escolhemos deles, mas somos, a tentativa de sermos melhores do que eles e a frustração (que cobraremos de nossos filhos) do que não conseguimos ser.
ResponderExcluirDeu pra entender? Beijo! Rs...
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ResponderExcluirÉ claro que tentamos ser a evolução deles, mas algumas coisas acredito que são pertinentes a maternidade/paternindade e são essas as que me refiro dizendo que faremos/fazemos EXATAMENTE igual.
ResponderExcluirLivia, ballet da terceira idade pode ser ótimo! Acho que pode ser bizarro imaginar uma mulher de idade com collant, mas devo achar isso pq a minha referência nesse minuto foi a Dercy Gonçalves... hahaha.
Arrasa no ballet gata!
beijo.