27 de janeiro de 2009

Lá estava ela, sentada na poltrona, confortável, de tom "amarelo tranquilo" que se mistura com o tom amarelo da sala, das almofadas, que faz tudo parecer amarelo demais. Uma preocupação constante era o quanto ela falava. Sem parar, ou parando quando ele a fazia parar, e ainda bem que o fazia, mas quando deveria realmente parar de falar? Como ela deveria saber quando acabava aquela preciosa hora cheia de si mesma se não tinha um relógio para olhar e desligava o celular? Até que, em certa consulta, ela pediu para ter o relógio virado pra ela. No final, pareceu mais fácil, digital, estava lá estampando 10:30. E
ela automaticamente, encerrou o assunto.
E foi assim que o ano acabou, corrido, apressado, cobrando cada minuto, estressando. Um ano de muitas emoções, menos análises do que o necessário e mais histórias pra contar do que se esperava.
Ela foi a praia, olhou nos olhos das pessoas que amava por mais tempo do que o comum, abraçou mais do que o de costume, pensou em nada muito mais do que São Paulo permitia. Ela dançou, cantou em voz alta, bebeu, sentiu areia massageando os pés e a brisa da praia fazer cafuné nos cabelos. Ela sentiu o que queria sentir.
Ela viu que longe de tudo o tempo passa mais devagar, e a felicidade aumenta... A tranquilidade ajuda. E o que fazer se é no meio desse tudo que escolhemos viver nossa vida? Fazer tudo isso para esperar os dias de brisa chegarem? Trabalhar para cada vez ter mais dias de férias? Impossível.
As férias acabaram. No dia seguinte ao ultimo dia de férias dois filmes aconteciam ao mesmo tempo. Ela voltou com toda a vontade de fazer o que ela mais gosta com a calma que nem os relógios da vida adulta, nem os de Dali, parecem deixar existir. E as amigas reapareceram, as visitas ao cinema aumentaram, plantas surgiram, aniversários foram comemorados com direito a chapéu e tudo. Tudo o que faz dessa vida uma delícia no meio da loucura.
Enquanto começava a última semana de janeiro ela desistiu, por achar a felicidade no que fazia, e voltou a acreditar em filmes que fazem sentir bem, em diálogos que não machucam, em sonhos de criança, na alegria de um castelo de areia. Desistiu de ter o relógio virado pra ela. Nunca usou relógio de pulso, tentou um modelo diferente mas não funcionou, sabe-se agora o motivo.
Sentada com um vestido longo jeans, flor no cabelo, tomando um suco de abacaxi com hortelã do lado de fora da padaria, ela ouvia aquelas músicas que dão vontade de dançar pela rua e acreditar que tudo vai dar certo, no seu tempo, ou no meu.

2 comentários:

  1. Acho que maturidade é isso mesmo: ver que os piores problemas podem ser solicionados depois de parar e respirar fundo, sempre respeitando o tempo necessário.
    O Dr. Plínio deve ter visto isso em sua paciente nessa última consulta...

    ResponderExcluir
  2. sinto o cheiro da praia, o cafuné da brisa e vejo sua cara de preguiça bahiana... que delícia! Acho que a gente (e sou bem específica nesse gente) trabalha não para ter mais dias de férias, mas pra poder ter as férias que quisermos e quando quisermos. E isso não significa mais dias de descanço... hahaha.
    beijo.
    beijo.
    Taci.

    ResponderExcluir