2 de setembro de 2008

Sentada no sofá, depois de 17 horas de trabalho falando em um microfone indicando entrada e saída de atores, totalmente sem voz, com o pé na água morna e um chá de mel e limão, ela tenta montar o quebra-cabeça.
O banho se tornou mais rápido, as horas de sono mais curtas. O corpo reclama e a cabeça tenta achar um espacinho para juntar as peças desse quebra-cabeça que é a vida adulta, quebra-cabeça de duas mil peças que tem que ser montado entre um chá e outro, porque o sono é grande e o tempo curto.
Na mesinha ao lado a agenda de telefones, alguns cartões de empresas que entregam comida. Ela começou a folhear a agenda, há quanto tempo não via aquela amiga que morava há poucas quadras? E o café no sábado a tarde sem hora pra acabar? Parecia algo que tão cedo não iria acontecer, que saudade enorme!
Duas semanas para o casamento, ainda faltam as alianças e toda a lista de "to do" a fazer. Um storyboard para fazer de um novo trabalho que está começando. Os cadernos do filho pra ver os recados da professora. A saudade do namorado e a vontade de conversar abraçada com ele até o casamento chegar. Médicos pra ir porque o corpo reclama por socorro. Unhas, cabelo, filmes, arrumações, tudo arquivado.
Há alguns meses atrás e umas sessões de terapia a menos tudo isso seria motivo de surto! Hoje não, confesso que hoje estou feliz. É assim, o tempo passa muito rápido, e quanto mais coisas fazemos mais temos para fazer. Aceitar que sempre será assim e que o melhor jeito é ficar de pé durante horas e colocar o pé na salmora quando der é o melhor jeito, porque desesperar?
Ainda não tenho vestido, mas tenho filmagem na terça. Ainda não perdi os quilos mas a passagem para a praia já está comprada. Ainda não li aquele livro, mas... opa, aí não tem mas. Tenho que ler. Boa noite.

Um comentário:

  1. "De tudo ficaram três coisas:

    A certeza de que estamos sempre começando.

    A certeza de que é preciso continuar.

    A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.

    (Devemos) Fazer da interrupção um caminho novo, da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro."

    Fernando Sabino

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