31 de maio de 2007

Acontece em toda família onde tem alguém que trabalha com computador, filmagens, fotografia ou afins, sempre tem um tio pedindo pra filmar as bodas, uma irmã louca pra ter boas fotografias do primeiro dia na escola do sobrinho arteiro ou uma cunhada ligando 8h da noite pedindo para você criar o cartão de visita do novo negócio que vai abrir, se você estiver com tempo livre, claro. O caso da nossa futura paciente foi o terceiro e como tempo livre não é problema pra ela, quebrar esse galho além de ser um exercício diferente do que o dos últimos dias, comer, babar sonhando com o Clooney ou acompanhar a mudança de temperatura e ver o efeito dela sobre sua sinosite, ela faria o tempo passar mais rápido.
Clica pra lá, puxa daqui, gira, pinta e o skype chama.
- Oi mãe.
- Oi minha filha! Como você está?
- Tô ótima!
- Porquê, conseguiu trabalho?
- Não, porque passei um dia sem fazer brigadeiro de panela!
- Mas tá feliz porque vai ao analista?
- Ah foi por isso que você ligou, não foi?
- Falei com sua avó, é pra você mesma?
- Não, pra minha diarista! Tá em depressão porque como eu não posso pagá-la, ela não vem há três meses!
- Boba, vai ser ótimo pra você! Você está precisando!
- O que você quer dizer com isso?
- Que desejo seu bem, só isso! Nossa você está muito mal humorada.
- Mãe você já fez análise?
- Fiz, há quinze anos.
- Fez muito tempo?
- Dois anos, porquê?
- Nada, melhor não saber.
- Ah Janie, boa noite e veja se arruma um namorado também porque é de dar dó do seu analista só de saber que você vai estar solteira no dia dos namorados.
- Quer falar o saldo da minha conta pra eu ficar mais feliz?
- Tchau filha.
- Tchau manhê.
Sobre o que falar na consulta de amanhã? Será que ele vai fazer perguntas? Ou é sentar e começar a falar? Será que ele fala? Acho que seria legal ele falar. Mas porque minha mãe tinha que falar do dia dos namorados? Porquê?
Não que estar solteira seja um problema pra ela que vive rodeada de lugares, informações e pessoas diferentes a cada trabalho, as paixões costumavam durar o mesmo tempo de uma produção, mas como já não acontecem há um certo tempo o assunto poderia até entrar nos itens a serem conversados com Dr. Plínio, muito em breve.
Chá quente, remédios tomados, bolsa, jeans e camisa branca decotada separados para sua primeira consulta (solteira + dia dos namorados + vai que ele é um Clooney = blusa decotada, claro!), Janie deita na cama e dorme assistindo Funny Face, afinal, nada melhor do que Hepburn para que o mundo pareça um conto de fadas.

4 comentários:

  1. Eeeeeeeeee!!! Tem blog e nem avisa, né? Beijos :-)

    ResponderExcluir
  2. Ah, a boa e velha Hepburn.....Tudo bem que brigadeiro de panela é tão bom quanto...ou melhor....
    Não vou mais ler o blog com tanto Clooney!! de terceira idade basta o seu Plínio.

    ResponderExcluir
  3. Você falou que "Não que estar solteira seja um problema pra ela que vive rodeada de lugares, informações e pessoas diferentes a cada trabalho, as paixões costumavam durar o mesmo tempo de uma produção..." eu queria te dizer que acredito que "Amor de filmagem termina na montagem".
    Se vc tiver solteira ainda no dia 12, podemos tomar um chazinho.... Tá um fríiiiiiiiiio.

    ResponderExcluir
  4. nossa! adorei, menina!
    to me sentindo numa dessas... bem parecida!
    beijos!

    ResponderExcluir