30 de maio de 2007

Sentada em uma das quatro poltronas na sala simples, com um relógio na parede e uma planta num canto, segura de si num jeans básico com blusa branca e uma bolsa preta de bolinhas brancas, se vestindo assim obviamente na tentativa de não ser notada ou não criar pré conceitos e feliz porque como tanto sua raiva queria a secretária infâme é sim feia, muito feia, rabugenta, infeliz e mal amada, sentada, ou melhor, afundada na cadeira sem tirar os olhos da revista de fofoca aonde provávelmente vai ficar para o resto da vida, assim estava ela parada olhando para o ponteiro do relógio avançar calmamente. O relógio marca 9:57h. A porta se abre, um homem com rosto tenso sai e ela se levanta como quem aguarda um cumprimento. Ele se despede da secretária, faz sinal com a cabeça e ela volta a se sentar. O relógio marca 10h e o telefone da secretária toca, em seguida ela faz sinal.
Ao entrar na sala os olhos passeiam em cada detalhe criando seus conceitos, afinal porque só ele teria esse direito, não é mesmo? Uma sala tão bem decorada que mais parecia cenário, até o cheiro era gostoso, um divâ que só faltava falar "deita aqui, deita". Na parede a única imagem era uma boa reprodução da Nona onda de Konstantinovich que em meio as paredes claras e a luz difusa deixavam o ambiente e o Dr. Plínio muito bonitos. Dr. Plínio? Uau! Um quarentão que não perdia em nada para George Clooney. Quando ela finalmente termina de fazer um raio-x de todos os detalhes, seus olhos encontram com o dele. Ele a abraça e ela sem entender, paralizada, escuta ele falando baixinho:
- Tudo vai dar certo querida, vai dar tudo certo.
Naquele momento ela realmente acreditou que tudo daria certo. Ouviu um barulho familiar, repetidamente vindo do lap top do Dr. Plínio. Ele não a soltava, o barulho não parava. Ela balançando os braços tentando se livrar acaba derrubando a xícara de chá, olha para a tela do computador e lá está: uma tela branca com a foto de sua amiga que estava com problemas no casamento. Ao se levantar pisa no chá derramado, molhando toda a meia. Amaldiçoa até a quinta geração da família do criador do Google Talk que não dá opção para tirar o som quando recebe mensagem, prometendo pra si que pode contar tudo ao Dr. Plínio, menos o sonho que teve com ele, vai que ele acaba analisando não é?!

2 comentários:

  1. Hahahhaa, adorei!
    Esperando ansiosamente a continuação..

    Beijo
    Clau!

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  2. Eu juro que achei que ia rolar algo com o Dr. Plínio..... essa coisa de quarentão bonitão, olho no olho....

    obs.: Ah, mas eu garanto que a revista da secretária era a Nova!
    obs II.: quando vc vai achar o nome da minha sauna genial??

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