20 de junho de 2007

Ele abriu a porta. Ela nem piscava, se levantou e foi entrando antes dele dizer:
- Pode entrar...
- Bom dia, eu nunca fiz análise, não sei como funciona então...
Ele deu um leve sorriso e interrompeu:
- Seu nome é Janie Paula?
Uma luz parece que se acendeu em cima da cabeça dela, ela achou a melhor resposta para qualquer pergunta! (Afinal pelo seu nome ela já nem sabia quem era, afinal com o nome que seu pai escolheu, hora Janie - mulher do Tarzan -, hora corrigindo para o Dhieinny, hora Paula pra facilitar, já daria para justificar a ida ao consultório.)
- Janie Paula, Dr Plínio, se pronuncia em inglês.
- Como prefere ser chamada?
- Depende da hora, geralmente isso vem naturalmente, me apresento em alguns lugares como Janie, para família sou Paula e alguns amigos mais íntimos escolhem e eu respondo aos dois. Pode escolher.
- Você pode escolher?
- Paula.
- Porque prefere Paula?
Já? Assim? Era só falar algo que ía ter que começar a me explicar! Pelo menos, com esse começo de conversa que ela já havia vivido várias vezes, já relaxou no sofá, ele na poltrona em sua frente. Enquanto pensava na resposta ela olhou alguns objetos pessoais em cima da mesa, uma grande estante de livros, dois diplomas na parede, nenhum quadro, a cortina aberta por onde se avistava muitos prédios do centro da cidade mas como se um controle remoto tivesse tirado o som, muito silêncio. Mas o silêncio dela não podia continuar.
- Porque a pronúncia é mais fácil.
- Pode me chamar de Plínio. E como você já disse, nunca fez análise certo? - Ela afirma com a cabeça - Nada mais é do que uma conversa, aonde juntos vamos buscar em você respostas para as perguntas que você tem, estou aqui para te ajudar.
Por alguns instantes aquele senhor de cabelo grisalho, barriga saliente e óculos de grau de modelo do século passado acertou e falou exatamente o que ela queria ouvir, ela sorriu, ele respirou fundo como se soubesse o que aquela frase causou nela.
- Como você se sente?
- Acho que bem. Na verdade não. Não estou bem. Eu sou frelancer, tô sem trabalho, pareço um rato de laboratório de tanta doença que tenho, não tenho namorado, como sem parar... é pra continuar?
- E o que você espera da terapia?
- Que isso tudo mude pra melhor?
- Não sei se tudo vai mudar para melhor, mas queremos que você mude pra melhor, certo?
Na sua cabeça o momento se definiu numa pintura de Norman Rockwell, é pra ser bonito mas na verdade é bem bizarro.
- Todas as terça feira, as 10h, está bom pra você?
- Está sim.

Um comentário:

  1. Oi, querida! Adorei o relato... Vc está mesmo fazendo análise, é?
    E quando é que vem pra cá? Beijocas, saudades!!!

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